A Personologia 

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PERSONOLOGIA ( Murray )

0 – INTRODUÇÃO Á PERSONOLOGIA

0-1-O QUE É UMA TEORIA

02- O QUE É A PERSONALIDADE

1- A NOÇÃO DE PERSONALIDADE EM MURRAY

2- ENQUADRAMENTO TEÓRICO DE MURRAY

3- A METODOLOGIA CLÍNICA

3.1- A METODOLOGIA DA MEDIÇÃO DA PERSONALIDADE

3.1.1- Quadro de Referência

3.1.2- Instrumentos de Medida da Personalidade

4- OS TESTES PROJECTIVOS

4.1- O "THEMATIC APPERCEPTION TEST" OU TAT DE MURRAY

4.2- OBJECÇÕES E LIMITAÇÕES APONTADAS AOS

TESTES PROJECTIVOS E AO TAT DE MURRAY

5- A PERSONOLOGIA DE MURRAY

5.1- OS CONSTRUTOS DE MURRAY

6- CONCLUSÃO

7- BIBLIOGRAFIA

 

 

0- INTRODUÇÃO À PERSONOLOGIA

Escrever sobre uma dada forma de entender teoricamente a personalidade implica desde logo a necessidade de se definir, de uma forma tão concreta quanto possível, aquilo que é entendido de uma forma geral como sendo a personalidade.

Não menos importante será definir igualmente aquilo que é uma teoria. Para esta última podemos desde logo começar por fazer notar que uma teoria é, antes de tudo, uma hipótese, e que, em termos hierárquicos, uma teoria se coloca imediatamente abaixo daquilo que é facto científico ou ciência.

 

0.1- O QUE É UMA TEORIA

Nesta distância entre facto e hipótese encontramos uma conjunção variada de problemas que se colocam no domínio da epistemologia ou teoria do conhecimento científico: na verdade, se uma teoria é uma hipótese ( científica ) que aspira a ser facto ( científico ) o campo do qual se serve para sua construção e constituição é, essencialmente, aquele que deriva da recolha empírica de dados e sua colecção num todo que se quer como coerente e ordenado.

Ora, a sujeição da teoria à verdade ou validade da recolha empírico / experimental faz depender a sua própria validade da verdade ou realidade dos dados recolhidos, da sua ordenação e da coerência da mesma.

Como verificaremos ao longo deste trabalho uma teoria não ascende impunemente nem a esse seu mesmo estatuto nem se sobrepõe a ele mesmo ( colocando-se como ciência de factos reconhecidos ) de uma forma fácil e imediata.

A personologia de Murray não escapa a esta regra, e como veremos, para aferir da sua validade não faltam críticas aos seus métodos de pesquisa e construção.

 

0.2- O QUE É A PERSONALIDADE

Na linguagem comum, o termo personalidade, tem sido utilizado das mais diversas formas e com os mais diversos significados: um indivíduo tem ou não tem " personalidade" se não muda ou muda de opinião sobre um dado assunto ou vários frequentemente, não indo a exigência comum ao ponto de referir que, num caso ou noutro, o conjunto da constância ou da inconstância são manifestações relacionadas com a personalidade que num caso ou noutro o indivíduo detém.

Vê-se, também , com frequência, relacionar a personalidade do indivíduo com o relacionamento ou impressão que uma dada actuação comportamental reflecte noutros sem se ter em conta que, neste caso, estamos no campo do confronto entre diversas personalidades.

Dada a diversidade de teorias sobre a personalidade temos no entanto que reconhecer que, de uma forma generalizante, aquilo que se pode entender como sendo a personalidade, varia segundo os teóricos que sobre o assunto se têm debruçado.

No plano abstracto há várias noções sobre a personalidade: ela pode ser jurídica ( capacidade de ter direitos e deveres ), ela pode ser moral ( responsabilidade na conduta ) e pode ser psicológica.

Esta última ( tal como as outras ) tem variado ao longo dos tempos e de acordo com as teorias. Em Psicologia Humana o conceito de personalidade tem sido apresentado de acordo com duas visões:

a)- a geral e

b)- a diferencial.

No sentido do geral a personalidade seria a estrutura psicológica comum a todos os homens.

No sentido diferencial, a personalidade seria a estrutura psicológica que distingue cada ser humano de um outro.

Não existe, pois, uma definição unívoca para o conceito de personalidade à partida e não existe uma definição única da personalidade mesmo dentro destes dois campos ( geral e diferencial ). Os estudos de Murray incluem-se dentro da diferencialidade conforme iremos concretizando ao longo destas páginas.

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A NOÇÃO DE PERSONALIDADE EM MURRAY

De alguma forma já foi dado a entender aquilo que interessa para este trabalho como sendo a personalidade na nossa frase introdutória e na Introdução.

Contudo, fazendo desde logo ressaltar a constância ou uma linha comum de actuação de um dado indivíduo como sendo a sua personalidade, não podemos esquecer o que igualmente nos diz Murray quando refere " uma sequência de processos dominantes ".

Quer isto dizer, sumariamente, que existirão manifestações de formas e de forças funcionais, que, agindo para além do campo específico reconhecido como sendo o da personalidade a ela estão contudo ligadas numa relação de dependência ou de não dominância.

Assim, isto quer dizer que, se uma teoria dá ênfase especial à singularidade e às qualidades integradoras de comportamento, é natural que a definição de personalidade inclua esses elementos como atributos importantes, ou seja, que a óptica utilizada favoreça a análise das constantes encontradas neste campo em desfavor de outras análises de constantes que poderiam ser encontradas noutros campos.

A importância das teorias da personalidade ( e da sua diversidade ) ao ser enumerada pelos teóricos da personalidade ( como é o caso de Murray ) levanta pois, tantos problemas de unificação teórica como aqueles que resolve. As teorias da personalidade não são de forma alguma teorias acabadas e tal será confirmado pela longa lista de diferenças de opinião até sobre as metodologias utilizadas para avaliação da personalidade.

Sendo uma teoria uma hipótese, desde logo ficamos a reconhecer a fragilidade da matéria em termos substanciais; mas, como se trata de analisar o ser humano, ainda que só nesta perspectiva, isso serve-nos, pelo menos, para reconhecer mais uma vez que a complexidade humana não se enquadra como dado adquirido em campos definidores e definitivos.

 

2- ENQUADRAMENTO TEÓRICO DE MURRAY

Num trabalho deste género muita coisa terá que ficar por ser dita ( aliás não há trabalhos nem deste género nem doutro que digam tudo aquilo que há a dizer ). No caso de Murray, este dá uma especial relevância à singularidade do indivíduo, o que, sumariamente o faria afastar-se de uma concepção bio – mecanicista da personalidade embora esta admita a singularidade como epifenómeno do campo mais vasto onde se integra a constante fisicista.

Contudo, Murray não nega uma interligação entre os factores bio –  fisiológicos e os factores comummente chamados de psicológicos. A relação entre a matéria ( a constituição biológica ) e as manifestações da mente, no campo da personalidade, continuam a existir neste autor, embora a plena explanação das fontes da sua teoria se manifestem no campo da subjectividade.

As teorias resultam das metodologias empregues para sua confirmação / conformação e estas por sua vez, sendo aferidas nos seus resultados com o corpo teórico existente ou construído despoletam ou podem despoletar novas metodologias e / ou rectificação das mesmas.

Mais à frente veremos em maior detalhe este problema. Por agora basta-nos anunciar que a Metodologia empregue por Murray se insere no campo da metodologia clínica, que existe ao lado e em contraponto com outras metodologias empregues por outros teóricos da personalidade.

É o caso do método científico ou experimental, que foi copiado no Sec. XIX da metodologia físico / científica, do método psicanalítico que foi a metodologia utilizada por Freud, e a metodologia clínica, que é a metodologia empregue por Murray que descreveremos à frente.

 

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3- A Metodologia Clínica

o Método clínico adequa-se mais ao objecto humano da psicologia. Este método é mais humano porque não vê a pessoa como mero fenómeno expresso em números estatísticos como é a tendência do método experimental acima referido, mas tenta compreender e integrar a pessoa na sua circunstância particular. Assim, e procedendo comparativamente, podemos dizer que o método experimental é de índole quantitativa enquanto que o método clínico é de índole qualitativa.

Os defensores do método clínico afirmam que através deste, a psicologia ( e neste caso o estudo da personalidade ) atingiu a sua maturidade como ciência. Não está preocupada com as afirmações das ciências positivas copiando os métodos próprios das ciências da natureza, mas vive por si só relacionado com a complexidade do ser humano.

O método clínico serve-se, essencialmente, de quatro tipos de intervenção :

1º Anamnese e dados biográficos: que se constitui de todas as informações determinantes recolhidas ao longo da vida pela recordação. Constitui uma biografia ( história da vida ) do paciente.

2º Entrevista clínica: é sobretudo um diálogo estabelecido entre o clínico e o paciente. É um falar despreocupado. A técnica é manter o examinado à vontade, sem pressões, sem que ele sinta que está a ser analisado. Não é uma consulta, é apenas mais uma conversa.

O paciente não vê o psicólogo como " médico " mas como amigo. Neste diálogo o psicólogo bem treinado consegue obter muita informação determinante sem que o paciente tenha dado conta ou resistido a dar essa informação. A entrevista é um bom apoio à Anamnese e dados biográficos que vimos anteriormente.

3º Observação clínica: consiste na observação do comportamento do indivíduo no grupo ( na família, na escola, etc. ) ou noutra qualquer circunstância ( durante a entrevistas, nos testes, etc. ).

4º Testes: Os testes nunca são um factor conclusivo nem determinante. Apenas podem servir para dar pistas ou orientações. Não valem por si mesmos e nunca deverão ser usados como método selectivo ou exclusivo mas devem ser sempre acompanhados por outras técnicas. São apenas um auxiliar.

 

3.1- A METODOLOGIA DA MEDIÇÃO DA PERSONALIDADE

Os testes, a sua validade e a sua utilidade, são talvez o ponto onde existe um maior confronto, nomeadamente entre os defensores das teorias fisicistas e aqueles que se procuram debruçar sobre a diversidade do ser humano.

O tipo de testes utilizados por Murray, ( o TAT ou " Thematic Appercetion Test " ) e as suas derivações, são acusados, pelos fisicistas, de não fornecerem elementos suficientemente fiáveis que possam ser integrados numa perspectiva científica.

Para enquadrarmos Murray neste campo necessitamos de fazer um excurso mais alongado sobre a medição da personalidade e as sua diversas formas.

3.1.1- Quadro de Referência

O quadro de referência para medição da personalidade, geralmente chamado o " Big Five " tem uma história longa e foi finalmente consensualizada em 1988 por John, Angleitner, Ostendorf e outros.

Foram os trabalhos de John ( 1989, 1990 ) que assentaram de uma forma sistematizada o Big Five da seguinte forma:

Extroversão, energia, entusiasmo;

Amabilidade, Altruísmo, Afeição;

Consciencioso, controlo, constrangimento;

Nevrotismo, afeição negativa, nervosismo;

Candura, originalidade, abertura de espírito.

Este modelo apresenta cinco factores diferentes, não hierarquizados, provavelmente sobrepostos nalguns casos mas que pretendem abranger os principais aspectos da personalidade.

A mais forte contribuição deste modelo consiste no facto de estabelecer um vocabulário comum na descrição e estudo das dimensões de personalidade.

3.1.2- Instrumentos de Medida da Personalidade

Segundo Kline ( 1995 ) existem três tipos principais de testes de personalidade:

a)- Os questionários e inventários de personalidade:

b)- Os testes projectivos;

c)- Os testes objectivos.

a)- Resumidamente os questionários e inventários de personalidade consistem numa lista de perguntas ou de factos relacionados com pensamentos, sentimentos e comportamentos.

Os itens típicos são formulados por exemplo da seguinte forma:

Estou sempre preocupado com a minha saúde. ( Verdadeiro ou Falso).

Considera-se metódico? ( Sim ou Não ).

Alguns itens utilizam escalas de notação ( Concordo Muito; Concordo; Incerto; Discordo e Discordo Muito ).

b) Os testes projectivos serão desenvolvidos à frente quando do desenvolvimento necessário sobre Murray.

c)- Os testes objectivos foram definidos por Cattell e Warberton ( 1967 ) como sendo instrumentos a notar objectivamente em que o objecto fica escondido do indivíduo.

É por esta razão que se considera que os mesmos são dificilmente falsificáveis pelos entrevistados.

Normalmente são conhecidos como testes de performance.

Num resumo final sobre os testes de personalidade pode concluir-se que, sendo possível construir questionários de personalidade fiáveis se podem aplicar os cinco factores ( Big Five ) anunciados atrás.

Contudo é necessário afirmar que se não pode reduzir a complexidade da personalidade a, mesmo que centenas, de perguntas, e, logo, que os testes são meios auxiliares de diagnóstico da personalidade e não formas de a reduzir a factores mais ou menos constantes ou comuns.

 

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4- OS TESTES PROJECTIVOS

É no capítulo dos testes projectivos que vamos encontrar uma maior presença e uma maior influência de Murray.

Numa descrição resumida, os testes projectivos fornecem ao indivíduo um estímulo ambíguo que ele deve descrever. As respostas são então interpretadas de forma a fornecer uma avaliação da personalidade. Dizem alguns autores ( Murstein, 1963, por exemplo ) que este tipo de testes mede as camadas mais profundas da personalidade.

O mais conhecido destes testes, o de Rorschach ( 1921 ) é composto por uma série de 10 manchas simétricas de tinta, enquanto que o segundo mais utilizado, o TAT ( Thematic Apparception Test ) é da autoria de Murray ( 1938 ) e apresenta figuras humanas em situações ambíguas.

É necessário fazer notar que o termo projectivo, aplicado aos testes, não tem relação com o termo projecção que, na teoria psicanalítica, refere a atribuição inconsciente de traços indesejáveis a outras pessoas.

O racional dos testes projectivos é que, ao interpretarem estímulos ambíguos, os indivíduos projectam-se neles e identificam-se com figuras humanas ou animais. Em rigor, o que se passa é que os indivíduos projectam os seus sentimentos e os seus conflitos no objecto estímulo mas nunca o seu todo personalizado.

Existem diversos tipos de testes projectivos, para além dos já referidos atrás ( Rorschach e TAT ) e das derivações destes últimos que veremos mais à frente. Alguns compõem-se de frases para completar, outras de objectos sólidos ou materiais e mesmo construções tipo Lego e ainda testes projectivos áudio constituídos por sons ambíguos.

A ambiguidade e / ou a complementação são o ingrediente básico deste tipo de testes de forma a deixar " aparecer " a subjectividade e / ou a objectividade da personalidade do indivíduo estudado.

A grande variedade de técnicas projectivas é atractiva para os psicólogos clínicos quando querem seleccionar um teste susceptível de responder às necessidades específicas dos seus pacientes. Os testes projectivos parecem capturar melhor a subtileza e a riqueza da personalidade, do que os já resumidos inventários de personalidade.

 

4.1- O "THEMATIC APPERCEPTION TEST " ou TAT de Murray

Este tipo de teste foi elaborado por Murray, conforme já se disse e seus colegas para medir as 19 mais importantes necessidades e pressões ( contra necessidades ou obstáculos ) do sistema dinâmico de Murray.

É importante referir aqui que o sistema de Murray se compõe de um acervo de 30 necessidades e de um indeterminado número de pressões. As necessidades dividem-se em viscerogénicas e psicogénicas, sendo as primeiras as necessidades orgânicas ou primárias e as segundas, resumidamente, mais relacionadas com aspectos comportamentais no campo psíquico.

O TAT comporta 30 cartas estímulo ( com uma carta branca ). Estas 30 cartas contêm fotos de seres humanos a preto e branco que não são excessivamente ambíguas mas que no seu conjunto estão suficientemente desalinhadas de forma a permitir respostas imaginativas. Os indivíduos devem dizer o que é que eles pensam que se passa em dada imagem.

Vários utilizadores deste teste interpretam as respostas dos inquiridos seguindo as teorias psicodinâmicas de Murray e / ou segundo a sua própria intuição. Qualquer que seja a forma utilizada o próprio Murray estipula a sua validade.

Disse, igualmente, a propósito da interpretação das respostas, que os estímulos do TAT constituíam um conjunto particular e que todo o estímulo que provoque uma resposta imaginativa esta é apropriada para indicar as necessidades, as pressões e outras variáveis ideográficas.

O TAT de Murray tem variantes: O CAT ( Children´s Apperception Test ) é um TAT para crianças de 3 aos 5 anos. É composto por 10 cartas de animais e 10 cartas de humanos, estando os humanos inseridos num contexto tão próximo quanto possível dos animais apresentados.

Uma variante especificamente psicanalítica é o Blacky Pictures Tests (BPT ) de Blum ( 1949 ). Uma família de cães é apresentada em 10 cartas; as situações familiares são as mesmas que são consideradas importantes na teoria psicanalítica.

Uma variante mais moderna é a Object Relations Technique (ORT) de Phillipson ( 1955), que se compõe de 12 cartas mais uma carta branca, mostrando todas as 12, figuras ambíguas.

Foi concebido para medir a teoria psicanalítica moderna da relação sujeito – objecto.

 

4.2- OBJECÇÕES E LIMITAÇÕES APONTADAS AOS TESTES PROJECTIVOS E AO TAT DE MURRAY

Vários autores afirmam que o TAT ( e seus derivados que já vimos ) assim como a generalidade dos testes projectivos têm pouco ou mesmo nenhum valor científico na ciência psicológica, embora seja comum não se contestar a sua popularidade no campo da psicologia clínica.

Segundo estes autores, os testes projectivos ( todos eles ) sendo idiossincráticos debruçam-se sobre o que é único no indivíduo, ou seja, sobre as suas particularidades, e que é esta acentuação sobre a unicidade do indivíduo que torna os testes atraentes para a psicologia clínica.

Ainda, e segundo estes autores, o principal problema que corta a cientificidade dos testes projectivos é a complexidade da interpretação dos seus resultados, que, e como vimos, Murray, ele mesmo, desvaloriza. Um teste é válido, segundo ele, independentemente da forma ( dinâmica de Murray ou intuição pessoal do entrevistador ) utilizada.

A fidelidade e a validade são as principais fontes de contestação. De notar que se fala de fidelidade e validade científica e não de fidelidade e validade psico – clínica.

Kline estudou estes aspectos e considera que a causa principal do problema reside na inconstância da notação.

Vernon cita vários estudos indicando que os resultados dos testes projectivos são influenciados por factores contextuais, incluindo a raça ou o sexo do examinador, a maneira de realizar o teste e afirma que é difícil afirmar que os testes projectivos medem as camadas mais profundas da personalidade se os scores são influenciados por variáveis que lhe são estranhas.

Como resumo final deste tema restará acrescentar que qualquer teste, seja ele projectivo, objectivo ou inventariante, não cobre todas as possibilidades de análise da personalidade e é, sempre, um instrumento auxiliar para medida da personalidade e nunca um instrumento completo dessa medida.

 

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5- A PERSONOLOGIA DE MURRAY

A Teoria da Personalidade de Henry Alexander Murray assenta numa teoria chamada de personologia que, conforme o nome indica, quer dizer conhecimento da personalidade. Esta, por sua vez, parte de alguns postulados e nomeadamente daquele que nos diz que os comportamentos humanos estão relacionados uns com os outros de uma forma temporal através de seriações que desembocam na tentativa ( pelo menos ) da satisfação de dadas necessidades.

Logo, a personologia de Murray é de índole utilitarista, ou seja, finalista, ou seja ainda " a personalidade é, de alguma forma, um meio para atingir a satisfação das necessidades ( de dadas necessidades )" (sic.).

Certos ou errados, no plano epistemológico, os pressupostos de Murray serão sempre discutíveis e questão em aberto na medida em que, ao subordinar a personalidade ( ou a sua constituição / formação ) à satisfação de necessidades coloca estas como ponto teórico fulcral.

Sem necessidades a satisfazer não há personalidade o que, mesmo levando-nos ao absurdo de pensarmos que possa existir um mundo sem necessidades ( e existe em certas patologias e muito nomeadamente na psicopatologia ) que, nesse caso, não existe personalidade porque não existem necessidades a satisfazer ( entendendo que a necessidade a satisfazer necessita de uma base consciente ).

Ora, mesmo estando longe ( neste específico campo científico ) dos pressupostos cívico / legais dos direitos e liberdades do homem, teremos de reconhecer, pelo menos, a sua inaplicabilidade Universal também pela análise comum mesmo que entendamos a existência em Murray das necessidades viscerogénicas, ou seja, as chamadas necessidades orgânicas ou primárias ( em número de doze ).

Assim, e logo que , para efeitos de análise e avaliação da personalidade, Murray se sirva de dados obtidos pelo método chamado de clínico ( ou empírico / clínico ) tal como os dados biográficos, a observação em campo e as entrevistas, e os testes, e que para formulação dos questionários se torne necessária a existência de necessidades ( e a consciência delas, ou, pelo menos, o conhecimento delas ), este enunciado anterior afasta desde logo da possibilidade de estudo da personalidade em termos igualitários, ou seja, com o mesmo valor de pesquisa, uma fatia não desprezável de indivíduos.

Posto isto interessa verificar que é através da análise do desenvolvimento da infância, das experiências e recordações mais significativas, da história escolar do indivíduo, das suas relações familiares e escolares, do desenvolvimento sexual, das capacidades e interesses é que é possível estabelecer relações lógico / temporais como vimos atrás e estudar, caracterizando, a personalidade.

Para Murray a unidade básica de análise é uma interacção entre duas ou mais entidades interdependentes ocorrendo no tempo e donde resulte alguma mudança, ou seja, é uma concepção fenomenológica, expressiva, demonstrativa e diacrónica.

Embora se possa reconhecer facilmente que aquilo que se não demonstra não existe para o outro ( ou para os outros ) será também de entender que existe aqui mais um handicap na personologia de Murray.

O encadeamento fenomenológico embora pressuponha não descreve o encadeamento substancial, ou seja, o encadeamento de factores latentes que despoletam o indício ou o facto personológico.

Um evento é denominado por Murray de procedimento; a pessoa faz algo para o objecto ou o objecto faz algo para ela, o que o aproxima excessivamente dos conceitos ontológicos, afastando-o, consequentemente, dos conceitos psico - epistemológicos.

E é neste campo que se verifica o facto personológico e se a sequência de eventos por algum motivo é interrompida, inicia-se um outro procedimento.

Não vamos aqui discutir se a interrupção de um procedimento não será a entrada em estado de latência da substância procedimental nem sequer se o procedimento que alegadamente se inicia está ou não relacionado substancialmente com aquele que alegadamente findou.

Vamos sim entrar directamente no plano mais subjectivo do pensamento de Murray que é o da organização procedimental, ou seja,

a seriação, que é uma sucessão intermitente de procedimentos direccionalmente organizados em vista de um fim determinado ou objectivo,

a ordenação, que é processo de planeamento abstracto em relação ao objectivo, e

a prospecção, que é, de alguma forma uma antevisão da adaptação ou não da seriação e da ordenação direccionada para o objectivo determinado.

 

5.1 - OS CONSTRUTOS EM MURRAY

Segundo Murray, ainda, os procedimentos são constitucionalmente denominados de constructos e dividem-se, neste autor, em quatro campos principais:

Necessidade, Pressão, Tema e Vector e Valor.

O CONSTRUCTO NECESSIDADE:

Definição: A necessidade é uma força que pode ter origem no interior ou no exterior da pessoa.

Esta força orienta e organiza os mais diversos processos psicológicos, a memória, o pensamento, etc. É organizadora do modo como as pessoas percebem, sentem e se comportam.

O CONSTRUCTO PRESSÃO:

Definição: A pressão, enquanto constructo, está relacionada com a necessidade, ou melhor, verifica-se no mesmo campo onde aquela tem lugar e determina-a determinando-se a si mesma, quer dizer que a pressão se verifica sobre a necessidade, no sentido positivo ou no sentido negativo facilitando ou dificultando a satisfação de dada ou dadas necessidades.

O CONSTRUCTO TEMA:

Definição: O tema é uma unidade de comportamento composta por uma necessidade e uma pressão.

É assim, complementar de ambas, ou seja, funciona como unidade constructual composta.

O CONSTRUCTO VECTORES E VALORES:

Definição: Este constructo divide-se em dois direccionamentos podendo qualquer um deles estar relacionado entre si e sempre sob dominância da satisfação de necessidades.

Os vectores indiciam já um juízo de valor ( rejeição, doação, agressão e esquiva são exemplos ) e são essencialmente formas de comportamento em relação a alguma coisa e os valores são algo sobre o qual se age ( propriedade, conhecimento, beleza ideologia são exemplos ) e indiciam o objecto do comportamento dado que necessariamente está já composto de uma componente definida como vectorial, ou seja, tem já um valor atribuído.

 

6-CONCLUSÃO

Procuramos, ao longo deste trabalho, fazer uma resenha tão exaustiva quanto possível sobre aquilo que é a Teoria da Personalidade de Murray ou Personologia.

A complexidade do tema, e sobretudo a característica excessivamente experimental ( no sentido da fragilidade ) que os diversos autores atribuem a Murray e à sua Teoria, foram , de alguma forma, demonstrativos não só da complexidade do tema, como até demonstraram que as Teorias da Personalidade não se encontram devidamente estabelecidas / estabilizadas na Ciência Psicológica.

Contudo, não será nunca de afastar a validade das propostas argumentadas por Murray e seus seguidores na medida em que se reconhece, com alguma facilidade, a quase ciclópica tarefa de reduzir a factores comuns ( e assim teorizar ) apanhados empíricos forçosamente dispersos pela própria dispersão das variantes personalistas.

Não foi um trabalho fácil, também porque a bibliografia encontrada sobre Murray sendo em certos sentidos abundante, é no entanto extremamente repetitiva.

Pensamos, no entanto ter conseguido atingir os objectivos propostos e explanados quando da Introdução.

 

BIBLIOGRAFIA

Calvin S. Hall e Gardner Lindzey – Capítulo "A natureza da teoria da personalidade" in " Teorias da Personalidade " s/ data.

Georg Dietrich e Hellmuth Walter – " Vocabulário Fundamental de Psicologia ", Edições 70, Lisboa, 1970.

Paul Kline – Capítulo " A critical review of the measurement of personality and Intelligence " in " International Handbook of Personality and Intelligence", N.Y. 1995.

 

Trabalho realizado por Psico330

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